sábado, 1 de julho de 2023

Visibilidade e Valorização do Património.

Quero fazer uma nota sobre o post que fiz ontem acerca do património (romano) em Portugal.

O post anterior centrou-se nos romanos, mas é para ser extrapolado para qualquer outra época da historia humana, porque delas todas há vestígios importantes no território que é hoje Portugal e todas elas sofrem do mesmo problema – falta de visibilidade e valorização.



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Nota sobre o Património:

O investimento publico e privado no nosso património é ridículo e desproporcional se considerarmos a dimensão gigante daquilo que herdamos. O investimento politico-financeiro feito no património cultural português carece de uma estratégia integrada e sustentável.

Em Portugal existe a ideia bacoca de que o património é coisa do passado e que não merece a nossa atenção porque os problemas actuais são mais importantes. Não é assim. Todo o objecto do passado que seja tratado agora, através do restauro, do estudo, do turismo, do espetáculo, da politica, da economia, sou de outra forma qualquer, vive no presente e contribui para o agora.

O nosso dia-a-dia é feito de todo o passado e quanto mais valorizado for esse passado mais recursos temos para o nosso presente. Estes ingredientes, passado e presente, são a matéria do futuro. Por isso devem ser cultivados com dedicação, de forma a serem nutritivos e saborosos. No nosso pais, quando falamos de comida toda a gente entende, mas até esse assunto necessitava de uma maior atenção.

Toda a produção cultural, a partir do momento em que se dá como terminada, passa a ser património. O património são todos os passos que demos juntos, até chegarmos aqui. Sobretudo aqueles escolhemos preservar como memoria e manter presentes na nossa vida.



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Créditos:

Não estou a dizer com isto que não tem sido feito muito trabalho de valor. Têm sido desenvolvidos óptimos projectos, só possíveis pela competência e empenho de excelentes profissionais. E o trabalho dos profissionais só acontece com projectos, estes com instituições e estas com politicas que as suportem.

Vou dar aqui alguns exemplos, para que ninguém pense que desconsidero aquilo que tem sido feito. Mas apenas sobre os romanos...


Centros como a Cal - Centro de Arqueologia de Lisboa. Projectos como “Portugal Romano”, a “Lisboa Romana”. Os documentários e outros projectos do realizador Raul Losada. As ilustrações do Cesar Figueiredo e do Gustavo Silva Val-Flores. A divulgação feita por empresas de arqueologia como a Era Arqueologia. Sítios arqueológicos como o de Conimbriga, Amaia e Miróbriga. O trabalho de alguns museus como o Museu de Lisboa ou Machado de Castro. A aposta de algumas camaras como a de Braga e Évora. A dedicação de muitos historiadores, arqueólogos, conservadores e restauradores, como Filomena Barata e Sérgio Fiadeiro Guerra Carneiro. Estou com isto a deixar imensa gente de parte, mas é impossível abarcar todos. Contudo o que me importava no post anterior era falar do que falta e o que falta é de uma base politica forte, boas gestão de informação e uma comunicação eficaz.

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