Habitações primárias: 1970 = 2252.500. 2021 = 4.140.500.
Habitações secundárias: 1970 = 75.570. 2021 = 1.105.000.
Habitação para venda/arrendamento: 1970 = 126.500. 2021 = 350.000.
Água canalizada: 1970 = 47,5%. 2011 = 99,5%.
Duche/banho: 1970 = 32%. 2011 = 98%.
Instalações sanitárias: 1970 = 58%. 2011 = 99%.
Eletricidade: 1970 = 64%. 2001 = 99,5%
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E já agora, para uma análise mais precisa....
Nº de agregados: 1970 = 2.350.000. 2021 = 3.795.000.
Ou seja...
Em 1970 havia 2.252.500 casas para 2.350.000 agregados. Dá 97.500 casas a menos.
Em 2021 há 4.140.500 casas para 3.795.000 agregados. Dá 345.500 casas a mais.
Nota: isto sem contar com as habitações secundárias.
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Porquê o desfasamento entre nº de casas e agregado?
Coloco várias possibilidades:
- Famílias que têm mais de uma casa, mas não registam como casa secundária.
- Casas, para venda ou para arrendar, vazias.
- Casas de estrangeiros.
- Casas construídas em sítios sem procura.
- Casas que passaram para AL.
Este link explica que a definição de agregado familiar é deferente entre as finanças, a segurança social e o INE - https://www.montepio.org/ei/pessoal/impostos/parte-do-seu-agregado-familiar/
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Aqui fica claro uma coisa:
- a diferença entre 1970 e 2021 é abissal.
- a diferença entre 1970 e as décadas anteriores é pouca (vejam INE e Pordata).
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O credito aumentou a compra de casas. Sim. Apesar de não bastar haver credito nos bancos para comprar casas. É preciso as pessoas terem condições para o credito e para dar umas dezenas de milhares de euros para o valor de entrada. Mas o credito contribuiu para o aumento da construção.
Houve também muitas casas construídas por cooperativas e pelo Estado.
Creio que foi logo em 1974 que o Nuno Portas, pai Miguel e Paulo Portas, foi secretario de estado da habitação. Lançou então um plano nacional para tentar resolver logo a situação miseravel da habitação. Esse processo chamava-se SAAL.
Siza vieira passou a ser conhecido internacionalmente por causa de um projecto que fez nesse âmbito.
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Esse tema do credito é muito interessante. Hoje de manhã fiz um resumo a partir de uma tese de contabilidade de 2015. É como diz, depois de 1974 fizeram-se leis que permitiram o crédito, de forma a proporcionar o acesso à habitação. Disto resultaram outros perigos que depois tentaram controlar.
A par de vários planos de habitação, como o SAAL que referi, Houve a necessidade de alterar esta situação de forma a proporcionar a um maior número de pessoas, a possibilidade de adquirir habitação própria:
1976 - foi criado o sistema de crédito bonificado com o objetivo de apoiar na compra e construção de casa própria.
1986 - passou a existir três regimes de crédito: o regime geral, o
regime bonificado e jovem bonificado.
1994 - perante as descidas das taxas de juro, estabeleceu-se reduções nas bonificações.
1999 - as taxas de juro começaram a subir, colocando em questão a solvência das famílias.
2003 - foram revogados os regimes bonificados.
2005 - com a subida das taxas de houve um abrandamento do crédito à habitação.
Acrescento… Depois disto houve a pandemia e a guerra que fizeram disparar os juros. A nossa prestação, por exemplo, disparou para o dobro.
Expresso de Outubro 2023: “O acesso à habitação através de crédito bancário piorou desde 2020 devido ao elevado preço das casas e à subida das taxas de juro, segundo um estudo do Banco de Portugal”.
As noticias desta semana são: “Receitas dos bancos com comissões disparam em 2022”, “as receitas dos cinco maiores bancos a operar em Portugal subiram 15,5% face ao período pré-pandémico”, “As comissões cobradas pelos bancos continuam a ser uma das principais fontes de lucro dos bancos”.
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Os dados são retirados do site do INE e da PORDATA.
Bibliografia complementar:
Tese de doutoramento em arquitectura: “O Processo SAAL e a Arquitectura no 25 de Abril de 1974”, de José António Bandeirinha, Uni. Coimbra 2017.
Dissertação de mestrado em cotabilidade “Crédito á habitação: uma evidencia empírica em Portugal”, de Ana Miguel, 2015.
COMPASSING (my World)
ART, ARCHITECTURE, SPACE, TIME...
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024
Mappa mundi 11th century from a copy of the Etimologiae of St. Isidoro
Mappa mundi 11th century from a copy of the Etimologiae of St. Isidoro_Monastero El Escorial. Commissioned for the Queen Sancha I of Leon. The map is an eschatological geometric scheme with Jerusalem at the center and the Earth surrounded by the Oceanus; East is at the top with the source of the 4 rivers of Paradise. The Nile River has a double source; one is from the Paradise.
Isidore of Seville (c. 560 – 4 April 636) was a Hispano-Roman scholar, theologian, and archbishop of Seville. His fame was based on his Etymologiae, an encyclopedia that assembled extracts of many books from classical antiquity. The mappamundis included in copies of the Etymologiae after the 11th century are a variation of the more diagrammatic T-O maps, some modern scholars refer to them as Y-O maps. Within each continent, regions are often symbolical indicated divided by geometric lines and structures similar to the Islamic maps of the Bhalki school of Baghdad from the 10th century.
Isidore of Seville (c. 560 – 4 April 636) was a Hispano-Roman scholar, theologian, and archbishop of Seville. His fame was based on his Etymologiae, an encyclopedia that assembled extracts of many books from classical antiquity. The mappamundis included in copies of the Etymologiae after the 11th century are a variation of the more diagrammatic T-O maps, some modern scholars refer to them as Y-O maps. Within each continent, regions are often symbolical indicated divided by geometric lines and structures similar to the Islamic maps of the Bhalki school of Baghdad from the 10th century.
segunda-feira, 20 de novembro de 2023
Visões do mundo – Idade Média.
Um medievalista tem um duplo trabalho: o de desconstruir ideias erradas sobre a idade média e, a partir dai, construir novas ideias. Há uma ideia geral muito errada sobre a idade média e que enquadra todas as outras - a de que a Idade Média é um período de profunda ignorância, desligado do passado clássico que só será recuperado no renascimento.
Baseados nessa ideia preconceituosa estão vários mitos sobre a idade média. Um deles é o de que os europeus medievais acreditavam que a Terra era plana. Meus amigos, essa crença foi criada depois, pelos protestantes no seculo XVII, para argumentarem contra o ensino católico. A ideia de uma Terra esférica remontar a Pitágoras, seculo VI Ac.. Os protestantes não foram sempre os mais cultos, nem os mais bem comportados.
Na idade média os imperadores eram muitas vezes representados com uma esfera na mão, exactamente porque a esfera representava o mundo. A maior parte das representações medievais da Terra era um círculo rodeado de água, mas o facto de a representação ser plana não significa que o que ela representa é plano. Na verdade, essa representação tem origens clássicas e representa apenas um lado de uma esfera. E vocês perguntam – o que é feito do outro lado da esfera? Está no caos, mergulhado em água!
Não se imaginava a Terra com força gravítica própria, por isso pensava-se que apenas um lado da esfera terrestre era habitável e o outro lado estava mergulhado no caos do oceano, como uma laranja que flutua.
Portanto a Terra era uma esfera dentro de uma outra esfera, que continha esse oceano e o céu. Havia toda uma teoria á volta das esferas que não interessa explicar agora. A Terra habitável era geralmente concebida como um hemisfério, dividido em três partes, A maior era a Asia, as outras duas eram a Africa e a Europa. Cada uma destas três partes era separada por um braço de agua, um deles era o Mediterrâneo.
Imagens:
Cartografia da Terra, século 12.
Um esquema feito por mim.
Baseados nessa ideia preconceituosa estão vários mitos sobre a idade média. Um deles é o de que os europeus medievais acreditavam que a Terra era plana. Meus amigos, essa crença foi criada depois, pelos protestantes no seculo XVII, para argumentarem contra o ensino católico. A ideia de uma Terra esférica remontar a Pitágoras, seculo VI Ac.. Os protestantes não foram sempre os mais cultos, nem os mais bem comportados.
Na idade média os imperadores eram muitas vezes representados com uma esfera na mão, exactamente porque a esfera representava o mundo. A maior parte das representações medievais da Terra era um círculo rodeado de água, mas o facto de a representação ser plana não significa que o que ela representa é plano. Na verdade, essa representação tem origens clássicas e representa apenas um lado de uma esfera. E vocês perguntam – o que é feito do outro lado da esfera? Está no caos, mergulhado em água!
Não se imaginava a Terra com força gravítica própria, por isso pensava-se que apenas um lado da esfera terrestre era habitável e o outro lado estava mergulhado no caos do oceano, como uma laranja que flutua.
Portanto a Terra era uma esfera dentro de uma outra esfera, que continha esse oceano e o céu. Havia toda uma teoria á volta das esferas que não interessa explicar agora. A Terra habitável era geralmente concebida como um hemisfério, dividido em três partes, A maior era a Asia, as outras duas eram a Africa e a Europa. Cada uma destas três partes era separada por um braço de agua, um deles era o Mediterrâneo.
Imagens:
Cartografia da Terra, século 12.
Um esquema feito por mim.
sexta-feira, 15 de setembro de 2023
Cromeleque de Almendres (levantamento).
Cromeleque de Almendres (levantamento).
Dez anos antes destas fotos terem sido tiradas, o Pedro Morais, que era na altura nosso professor, levou-nos (a mim, à Claudia Melo à Filipa Teixeira, à Sofia Bray, ao Firmino Arnaut, ao Pedro Hebil, à Sandra Peres, à Sandra Magalhães, à Sílvia Leite, à Teresa Rodrigues,Marcos Magalhaes Marta Araújo, Nelson Dona …) num passeio onde conhecemos uma serie de sítios fabulosos, entre eles o Almendres.
Na altura, apesar de ser o maior cromeleque do mundo em número de menires e provavelmente o mais antigo dos maiores, o Almendres era ainda muito pouco conhecido. A beleza natural daquele lugar e o contacto com um dos registos mais antigos da presença do homem ficou fortemente marcado nas nossas cabeças de adolescentes, na minha pelo menos, até hoje.
Tal foi a forma como esse sitio nos fascinou que eu o Pedro Alvim, o Pedro Hebil o Carlos Vieira Reis e o Pedro Magalhães voltámos lá, numa dessas viagens pelo interior que fizemos nos verões de 87 e 88.
Eu, o Hébil e o Alvim, ainda voltámos lá várias outras vezes, agora já em auxilio ao estudo que o Pedro Alvim fez e que mais tarde resultou em tese de mestrado (p39, Paulo Pereira, 2011.
Estas fotos são de 1997, estávamos os 4 a terminar a licenciatura em arquitectura.
O levantamento foi feito com um teodolito básico e com muitos desenhos dos 95 menires, mas é ainda hoje a base dos estudos mais rigorosos que se fizeram nos últimos anos. Actualmente o Hébil está no atelier do Consuegra em Sevilha, o Vito voltou para Maputo, o Alvim está a fazer o doutoramento em arqueologia e eu estou aqui a postar estas coisas tipo velhinho saudosista. 😃
Video:
https://www.youtube.com/watch?v=Sxn9IdcHofQ
Estudos:
https://www.academia.edu/1130497/Recintos_megal%C3%ADticos_da_regi%C3%A3o_da_serra_de_Monfurado_e_os_Cabe%C3%A7os_do_Meio_Mundo_monumentos_paisagem_e_cultura_no_Neol%C3%ADtico_alentejano
Os desenhos:
http://fotoarchaeology.blogspot.pt/2009/10/big-one.html
Video:
Estudos:
Os desenhos:
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Dez anos antes destas fotos terem sido tiradas, o Pedro Morais, que era na altura nosso professor, levou-nos (a mim, à Claudia Melo à Filipa Teixeira, à Sofia Bray, ao Firmino Arnaut, ao Pedro Hebil, à Sandra Peres, à Sandra Magalhães, à Sílvia Leite, à Teresa Rodrigues,Marcos Magalhaes Marta Araújo, Nelson Dona …) num passeio onde conhecemos uma serie de sítios fabulosos, entre eles o Almendres.
Na altura, apesar de ser o maior cromeleque do mundo em número de menires e provavelmente o mais antigo dos maiores, o Almendres era ainda muito pouco conhecido. A beleza natural daquele lugar e o contacto com um dos registos mais antigos da presença do homem ficou fortemente marcado nas nossas cabeças de adolescentes, na minha pelo menos, até hoje.
Tal foi a forma como esse sitio nos fascinou que eu o Pedro Alvim, o Pedro Hebil o Carlos Vieira Reis e o Pedro Magalhães voltámos lá, numa dessas viagens pelo interior que fizemos nos verões de 87 e 88.
Eu, o Hébil e o Alvim, ainda voltámos lá várias outras vezes, agora já em auxilio ao estudo que o Pedro Alvim fez e que mais tarde resultou em tese de mestrado (p39, Paulo Pereira, 2011.
Estas fotos são de 1997, estávamos os 4 a terminar a licenciatura em arquitectura.
O levantamento foi feito com um teodolito básico e com muitos desenhos dos 95 menires, mas é ainda hoje a base dos estudos mais rigorosos que se fizeram nos últimos anos. Actualmente o Hébil está no atelier do Consuegra em Sevilha, o Vito voltou para Maputo, o Alvim está a fazer o doutoramento em arqueologia e eu estou aqui a postar estas coisas tipo velhinho saudosista. 😃
Video:
https://www.youtube.com/watch?v=Sxn9IdcHofQ
Estudos:
https://www.academia.edu/1130497/Recintos_megal%C3%ADticos_da_regi%C3%A3o_da_serra_de_Monfurado_e_os_Cabe%C3%A7os_do_Meio_Mundo_monumentos_paisagem_e_cultura_no_Neol%C3%ADtico_alentejano
Os desenhos:
http://fotoarchaeology.blogspot.pt/2009/10/big-one.html
Video:
Estudos:
Os desenhos:
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quinta-feira, 7 de setembro de 2023
sexta-feira, 21 de julho de 2023
beldroegas e aptenias
Um dos lados positivos de ter beldroegas e aptenias na varanda é, nas noites de calor, bebendo e fumando cá fora, podermos "desintoxicarmo-nos" com as folhas verdes, trincadas directamente dos ramos. 😃 A bebida ajuda a deglutir, o fumo purga a bicharada.
Tanto a beldroega como a aptenia, usam-se tradicionalmente em saladas e são conhecidas por terem varias qualidades medicionais. São alimentos anti-inflamatórios, anti-infecciosos, antioxidantes...
A beldroega é rica em vitamina A e C. A aptenia é rica em vitamina E. Os antioxidantes mais conhecidos são as vitaminas A, C e E. É um facto que a cozedura enfraquece as fibras vegetais, podendo potenciar a absorção de alguns antioxidantes nalguns vegetais. Mas, também se sabe que as altas temperaturas podem destruir as vitaminas. Os alimentos para limpar o fígado e que põem os rins a trabalhar são aqueles que possuem realmente propriedades desintoxicantes. Por isso usei aspas em "desintoxicarmo-nos".
Tanto a beldroega como a aptenia, usam-se tradicionalmente em saladas e são conhecidas por terem varias qualidades medicionais. São alimentos anti-inflamatórios, anti-infecciosos, antioxidantes...
A beldroega é rica em vitamina A e C. A aptenia é rica em vitamina E. Os antioxidantes mais conhecidos são as vitaminas A, C e E. É um facto que a cozedura enfraquece as fibras vegetais, podendo potenciar a absorção de alguns antioxidantes nalguns vegetais. Mas, também se sabe que as altas temperaturas podem destruir as vitaminas. Os alimentos para limpar o fígado e que põem os rins a trabalhar são aqueles que possuem realmente propriedades desintoxicantes. Por isso usei aspas em "desintoxicarmo-nos".
quinta-feira, 13 de julho de 2023
"Rio Algés". Por João Pedroso (1823-1890).
🌱 "Rio Algés" - Actual Ribeira de Algés desenhada por João Pedroso (1823-1890).
Que pena é só termos uma pequena parte deste "rio" cuidado. Que pena a maior parte do seu percurso estar tapada ou abandonada e, ainda no século XXI, continuar a ser tapada e abandonada, como se de lixo se tratasse.
Imaginem água fresca a correr, bermas verdes à sombra de árvores. Imaginem um caminho pedonal paralelo ao leito, uma ciclovia. Imaginem uma linha de elétrico ligeira ao longo deste eixo que liga Amadora a Algés, onde vivem actualmente 250 mil pessoas.
E, no final, teríamos menos cheias, porque as plantas "seguravam" a água e o chão, assim permeável, absorvia-a.
Que pena é só termos uma pequena parte deste "rio" cuidado. Que pena a maior parte do seu percurso estar tapada ou abandonada e, ainda no século XXI, continuar a ser tapada e abandonada, como se de lixo se tratasse.
Imaginem água fresca a correr, bermas verdes à sombra de árvores. Imaginem um caminho pedonal paralelo ao leito, uma ciclovia. Imaginem uma linha de elétrico ligeira ao longo deste eixo que liga Amadora a Algés, onde vivem actualmente 250 mil pessoas.
E, no final, teríamos menos cheias, porque as plantas "seguravam" a água e o chão, assim permeável, absorvia-a.
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